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O Homem que Emprestava Sorrisos PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por curator   
Sexta, 27 Março 2015 16:42

 

António Saragoça, O Homem que Emprestava Sorrisos

na Pickpocket Gallery

09 a 24 de Abril, 2015

António Saragoça, um fotografo espontâneo


É certo que cada pessoa é inigualável e cada artista tem o seu próprio universo, que nos pode deixar visitar, para nosso privilégio. Porém, o António Saragoça, mais do que qualquer outro que terá passado pelas paredes da Pickpocket, incorporou a sua vivência ao acto de fotografar e aceitou que a fotografia se imiscuísse na sua vida com uma humanidade e permeabilidade apenas comparável com a que a sua própria comunidade assimilou o Saragoça fotógrafo.
A amostra do obra que agora apresentamos representa apenas uma pequeníssima parte do seu trabalho de anos em que registou o quotidiano de uma pequena comunidade onde ele era o único fotografo. As suas imagens mostram-nos um Portugal que agora parece distante e porém tão próximo, onde uma comunidade crescia como podia, apertada com dificuldades de todo o tipo. Nessas imagens, tão portuguesas e tão universais, vêem-se com cristalina claridade e impressionante vivacidade os sonhos, a dor, a alegria e as contradições de que a vida é pródiga, numa vila alentejana dos anos 60. O olhar de Saragoça não é diferente do olhar dos personagens das suas fotografias: são cúmplices de uma vivência comum e assim interpelam com toda a proximidade possível o outro, numa ligação de olhares mediada naturalmente pelo aparelho fotografico, mas nem por isso colocando o fotografado como um sujeito distante do fotografo, nem vice-versa. As poderosas imagens de Saragoça lembram-nos, uma vez mais, que a magia da fotografia pode ocorrer precisamente quando ela não se impõe como intermediário e apenas deixa a vida fluir.

E um fundador inesperado


Em Agosto de 2010, um telefonema da Ana Saragoça dá um empurrão definitivo para a criação daquilo que viria a ser brevemente a Pickpocket Gallery. Nessa altura questionava-me se valeria a pena o esforço de criar um espaço dedicado exclusivamente a fotografia que acolhesse de forma des-sacralizada trabalhos de todo o tipo, desde fotografia vernacular a instalações fotográficas e que desse atenção a autores desconhecidos bem como a formatos e projectos menos "convencionais".  Nesse telefonema, a Ana, filha do Antonio Saragoça, pede-me um conselho sobre o que fazer com uma mala com negativos que tinha em casa. E quando me explica do que se trata, trato imediatamente de comprar um scanner de negativos para literalmente fazer passar de novo luz por essas imagens. Quando fizemos o scan da primeira imagem, escolhida aleatoriamente de entre milhares de negativos de médio formato, fiquei rendido à singularidade e tremendo valor do que tínhamos na mão. Essa imagem, numa primeira avaliação rápida olhando para o negativo, revelava uma aparente e banal situação de casamento. Mas ao ver a imagem positiva no computador, uma saída de noivos à porta de uma igreja rodeados pelos seus convidados, reparo num detalhe aparentemente banal para os fotografados, e por isso altamente electrizante: entre noivos a preceito e convidados de fato, notoriamente vestidos como melhor podiam, existem pessoas sem sapatos. Um pequeno detalhe e no entanto tão significativo e representativo de uma certa vivência na época. O entusiasmo que imediatamente se nos apoderou para "recuperar" todas as imagens do Antonio Saragoça foi grande e consolidou de imediato o meu desejo de criar um novo espaço em Lisboa para a "descoberta" de projectos fotográficos e novos e velhos fotógrafos, aumentando as parquissimas oportunidades de que isso suceda num país pouco interessado pela fotografia. Um mês depois abri a galeria em Santa Apolonia. A Ana continuou o seu trabalho de meses a recuperar as imagens do pai e fomos ambos alimentando a ideia de que um dia eu podería fazer algo em grande com esse trabalho. A pompa e circunstância acabou por nunca acontecer, mais por falta de recursos do que por vontade. E agora que provavelmente se encerrará em breve a aventura que foi a existência da Pickpocket, torna-se obrigatório trazer o Antonio Saragoça às paredes deste espaço. Tenho a certeza que será uma surpresa agradável a descoberta deste fotografo, que tanta gente feliz fez em Vila Nova da Baronia e que, sem o saber, foi parte responsável pela criação da Pickpocket Gallery.


Rui Poças

 

 

Actualizado em Sábado, 04 Abril 2015 10:35
 

 

Possibilidade de visitas sob marcação (ou extensão de horário)
(+351) 935 624 531

 

Informação complementar na página do facebook.

 

 

METRO:
Santa Apolónia (Linha Azul)

 

BUS:
745, 759, 28, 12, 34,
706, 735 (a 50 metros),
206 (a 50 metros)

 

GPS:
@38.715657,-9.122017

CALÇADA DOS CESTEIROS 4B
BICA DO SAPATO
1100-138 LISBOA

RUI POÇAS
APARTADO 23026
PRAÇA DO MUNICÍPIO
1147-601 LISBOA

(+351) 919 250 620
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